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Hipnoterapia

O que a hipnose é (e o que ela não é)

13 de setembro de 2026 · 6 min de leitura

Antes de qualquer sessão, eu explico o que vai acontecer. Não por formalidade: é porque quase todo mundo chega com uma ideia de hipnose que veio de filme, de palco ou de vídeo na internet. E essa ideia atrapalha.

O que a hipnose não é

Não é perda de consciência. Você não apaga, não desmaia e não fica desacordado. Você escuta tudo, sabe onde está e lembra da sessão depois.

Não é perda de controle. Ninguém faz, sob hipnose, nada que seja contra os próprios valores. O hipnoterapeuta não assume o comando de nada — ele conduz um processo que você pode interromper a qualquer momento.

Não é ficar preso. Esse é o medo mais comum e o mais fácil de responder: não existe registro de alguém que tenha ficado preso em hipnose. Na pior das hipóteses, a pessoa adormece e acorda normalmente depois.

Não é sono. O nome confunde, mas o estado hipnótico é de concentração aumentada, não de inconsciência.

O que a hipnose é

Um estado natural de atenção concentrada, que você já experimentou várias vezes esta semana sem chamar de hipnose.

Quando você assiste a um filme e perde a noção do tempo, está ali. Quando dirige um trajeto conhecido e chega sem lembrar do caminho, está ali. Quando lê e não escuta alguém te chamando, está ali.

A diferença é que, na hipnoterapia, esse estado é induzido de propósito e usado para uma finalidade específica.

Por que esse estado é útil

Em atenção concentrada, o filtro crítico — a parte que argumenta, duvida e compara — fica mais silencioso. Isso permite trabalhar diretamente com leituras que foram formadas antes de você ter capacidade de questioná-las.

Quem tem medo de falar em público normalmente já sabe, racionalmente, que nada de terrível vai acontecer. Saber não resolve, porque o medo não foi construído pelo raciocínio. Ele precisa ser acessado onde de fato mora.

Como é uma sessão

Começa conversando, sem nada de místico. Eu preciso entender o seu caso, e você precisa entender o processo.

A indução é gradual: instruções para focar a atenção e relaxar o corpo. Não tem passe de mágica nem pêndulo. Em algum momento você percebe que está mais concentrado e mais tranquilo, e continua ouvindo minha voz normalmente.

O trabalho terapêutico acontece nesse estado, e pode durar de uma a quatro horas dependendo do caso. Ao final, você volta à atenção normal, lembrando do que aconteceu.

Para quem não é indicado

A hipnoterapia não é adequada para pessoas com esquizofrenia, transtorno de personalidade borderline ou autismo, e depende de comunicação verbal — o que exclui pessoas surdas ou sem fala.

Isso é avaliado na primeira conversa. Se não for o seu caso, eu digo antes de qualquer tratamento começar.

A hipnoterapia não substitui acompanhamento médico ou psicológico. Se você já faz tratamento, siga com ele: os dois caminhos convivem, e o que for decidido sobre medicação é assunto entre você e quem a prescreveu.

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